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Victor
Neves
Editorial
Cristina
Caramelo Gomes
Tecnologias de
informação
e comunicação
versus isolamento
social/individual
David
Santos
Arte, museus e
indústrias
culturais
João
Antunes
Sociedade contemporânea
de consumo
Jorge
Gonçalves
Globalizar para
reinar –
fragmentar para
resistir: o caso
do espaço
metropolitano
Jorge
Santos
Guggenheim como
sinónimo
de museu
Luís
Santiago Baptista
Globalização
e arquitectura:
«capitalismo
e esquizofrenia»
Marco
Buinhas
Viddi well litle
Alex, Viddi well...
Mário
Chaves
O mundo global
Nuno
Conceição
Projectar no espaço
livre entre as
coisas
Paulo
Brito da Silva
Poetas e outros
sonhadores
Pedro
Boléo de
Freitas
Anti-globalização
do habitat
A
world - wide
style culture.
Esta frase, inserida
num web-site
da Levis em 1996,
fixa com enorme
acutilância
a situação
do mundo actual,
neste princípio
do século
XXI. A ideia de
globalização,
de uma sociedade
globalmente intercomunicada,
à escala
planetária,
tem a marca do
séc. XX,
mas a sua interpretação
(e aplicação)
real foi-se alterando.
A microelectrónica
e a rede mundial
de comunicações
estão no
centro de uma
sociedade-utopia
que foi teorizada
a diversos níveis.
Essa sociedade
tinha uma matriz
ideológica,
que era a de levar
o progresso, o
bem-estar e a
democracia a todos.
Mas a ideia de
uma aldeia global
de Mcluhan, perdeu
toda a sua ingenuidade
para se transformar
numa imensa megapólis
virtual onde tudo
depende de um
primado económico
e onde prevalece
o poder de quem
detém o
poder económico
e o poder tecnológico,
por arrasto. Não
se trata já
de um problema
de uniformização
coerciva, a diversos
níveis,
que veremos analítica
e criticamente
retratada nas
teses de Paul
Virílio;
mas sobretudo
de uma autocracia
dos mais fortes
sobre os mais
fracos, que tira
a estes últimos
a sua própria
autonomia económica,
política
e cultural.
A sociedade actual
é, assim
e cada vez mais,
uma "logo-sociedade"
de um globo "logo-ligado".
De facto, os logotipos
(logos) tornaram-se
naquilo que mais
se assemelha com
uma linguagem
universal. Os
logos estão
normalmente associados
com uma imagem
e à persuasão,
veiculada pelos
média,
pelo marketing,
pela publicidade.
Mas são
também,
em regra, extremamente
cativantes e envolvidos
num certo glamour
(glow).
Neal Stevenson,
um escritor de
ficção
científica
utilizou um dia
o termo "loglo"
(uma simbiose
de logo com glow)
que sintetiza
essa atracção
persuasiva, que
os logos exercem
sobre a sociedade
actual. No entanto,
a rede de logos,
das companhias
multinacionais
são realizadas
com um objectivo
principal, nada
"glamoroso":
o de maximizar
o consumo e minimizar
os meios de produção:
o que extrapolando
para o universo
de arquitectura
não deixa
de ser preocupante.
A ideia de termos
toda a gente no
mundo a comer
Burger Kings,
a usar sapatos
Nike e óculos
Rayban, poderá
ser extrapolada
para a arquitectura?
(Victor Neves) |