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I. Introdução
II. Contextualização histórico-cultural
1. Reconhecimento da presença portuguesa no Extremo-Oriente, China, entre os séculos XVI e XVIII
1.1. A circulação de produtos enquanto fenómeno impulsionador dos contactos entre o Ocidente e o Oriente
1.2. O estabelecimento de relações entre Portugal e a China no contexto do espaço Ultramarino Oriental
1.2.1. Motivações ao empreendimento das Descobertas portuguesas
a) A importância do comércio e da seda em particular
b) O contributo da missionação
2. Consequências artístico-culturais da expansão portuguesa no Oriente, na Europa e em Portugal
2.1. O Surgimento de novas sínteses artísticas no contexto das relações entre a Europa e a China
2.1.1. O caso da Chinoiserie. Problemáticas inerentes ao conceito
2.1.2. O caso da arte sinoportuguesa e a sua especificidade no binómio Portugal - China
3. As alfaias litúrgicas bordadas sinoportuguesas no quadro do relacionamento entre Portugal e a China
3.1. Motivações ao seu surgimento e utilização
3.2. Reconhecimento de possíveis locais de fabrico e dos respectivos responsáveis pela sua produção
3.3. A aquisição deste tipo de produção artística em Portugal. Breve reconhecimento dos encomendadores e agentes importadores
III. Os têxteis bordados sinoportugueses. Caracterização e análise
1. Introdução metodológica à abordagem das alfaias sinoportuguesas em análise
1.1. Apresentação do Corpus Material. Tipologias dos espécimes inventariados, caracterização e evolução
2. Materiais identificados na sua manufactura
2.1. Suportes
2.2. Materiais para bordar
2.2.1. Materiais usados como enchimento
2.2.2. Materiais de preenchimento da superfície
2.2.3. Materiais de contorno e definição de motivos
3. Procedimentos técnicos adoptados
3.1. Preparação e delineamento da composição a bordar
3.2. Técnicas de bordar
3.2.1. Bordado directo
3.2.2. Bordado de aplicação
3.3. Métodos de execução e montagem das peças
4. Identificação das gramáticas decorativas observadas
4.1. Temática de cariz ocidental
4.1.1. Iconografia cristã
4.1.2. Iconografia vegetalista e floral
4.1.2.1. Representação de tecidos
4.1.3. Motivos heráldicos
4.1.4. Temática mitológica
4.2. Temática de índole chinesa
4.2.1. Representação de animais
4.2.1.1. Aves
4.2.1.2. Mamíferos
4.2.1.3. Animais quiméricos
4.2.1.4. Insectos, répteis e peixes
4.2.2. Temática vegetalista e floral
4.2.3. Outros motivos
4.3. Constituição de tipologias plásticas
4.4. Enquadramento cronológico
IV. Conclusão
De entre os múltiplos contactos que os lusitanos estabeleceram no Oriente com os diferentes povos e culturas com que se foram deparando, no âmbito do empreendimento ultramarino destaca-se aquele encetado com os chineses, em meados do século XVI. Apesar das diferenças de mentalidade e dos modos vivenciais que os caracterizam, depressa se criaram condições propícias ao eclodir de uma produção artística de perfil peculiar de alfaias bordadas, isto é, peças têxteis de paramentaria, usadas na celebração do culto católico. Compreender a conjuntura histórico-cultural e artística subjacente ao aparecimento destas peças e o seu desenvolvimento no quadro da presença portuguesa no Oriente - entre os séculos XVI e XVIII - e as respectivas consequências nos dois universos civilizacionais envolvidos, constitui-se como objectivo primeiro da nossa investigação.Assim, ao longo desta obra procuram identificar-se as motivações inerentes ao seu surgimento e utilização; reconhecer os prováveis locais de manufactura e os responsáveis pela sua produção; averiguar da existência destas peças em Portugal, quais os principais destinatários e agentes intermediários ou importadores; traçar os prováveis modus operandi adoptados na sua transacção e aquisição. De igual modo se nos afigura importante proceder ao estudo das peças seleccionadas (do ponto de vista formal, tecnológico, iconográfico, compositivo e plástico), por forma a poder identificar as principais especificidades deste tipo de produção artística e a sua inserção efectiva no contexto da produção artística sinoportuguesa.
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