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Aos conteúdos que integravam o ensino da Arquitectura têm vindo a ser acrescentadas preocupações didácticas que muito oportunamente contemplam um renovado olhar sobre o ambiente, a sustentabilidade e a responsabilidade social e profissional dos arquitectos.
Destacamos a reabilitação funcional e o incremento do conforto ambiental das edificações antigas, estabelecendo não só normas quantitativas e qualitativas técnicas, mas implicando também uma reflexão sobre a compatibilidade do uso dos espaços com o valor histórico-cultural dos edifícios; a utilização de materiais e técnicas modernas em edifícios antigos e a utilização de técnicas tradicionais na arquitectura contemporânea; a preocupação com a segurança de pessoas e bens, estudando dispositivos a prever face à possibilidade de ocorrência de catástrofes naturais, incêndios, inundações, tremores de terra, ciclones.
Já no "Relatório e Recomendações sobre a Formação em Arquitectura", adoptado pelo Comité Consultivo das Comunidades Europeias (Maio 1989) se referia no ponto VII - Especialização: "A especialização em Arquitectura é cada vez mais útil, podendo ter por base uma investigação adequada. Todos os estudantes deveriam ser sensibilizados para este campo de estudos, podendo alguns deles orientar a sua carreira futura para especializações decorrentes da sua qualificação como Arquitectos." O presente Processo de Bolonha isso tem vindo a permitir e encorajar.
A área da recuperação, para além da exigência do domínio da metodologia do projecto arquitectónico e dos conhecimentos gerais tecnológicos tem especificidades próprias complementares, desde o posicionamento ético perante a herança cultural até aos materiais e técnicas de reparação, de conservação e de preservação, passando pela própria organização do estaleiro e condução dos trabalhos em obra. O actual momento económico torna incontornável esta área de actuação.
E cada vez mais os jovens arquitectos devem ser capazes de responder a solicitações concretas em ambientes geográficos e culturais diferentes daqueles em que tem as suas vivências habituais, e poder mesmo vir praticar a profissão de forma continuada em países estrangeiros. Uma boa percepção do mosaico territorial e social que constitui a Europa será básico para aprender a profissão e para isso muito tem contribuído o Programa Erasmus.
A multiplicidade de facetas correspondentes a diferenças culturais que se manifestam em problemas concretos que terão que resolver, vão das especificidades na formulação da encomenda e da definição do programa até ao domínio de saberes alargados. A nossa Universidade, através das suas Faculdades de Arquitectura e Artes, e modestamente através desta revista, para isso pretende contribuir. (Sérgio Infante) |