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1. Génese
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Novos ritos para a cerimónia antiga: a aclamação de D. Pedro V.
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O despertar do interesse pela heráldica municipal.
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Compilar, explicar, difundir: a edição do armorial autárquico.
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O armorial de Vilhena Barbosa.
2. Raízes
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As insígnias municipais e os primeiros armoriais portugueses: razões de uma ausência.
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A heráldica no Antigo Regime: uma realidade funcional?
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Qual pedra íman: a matéria heráldica na produção cultural do Antigo Regime.
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Genealogia dos mitos: as insígnias municipais nos armoriais portugueses do Antigo Regime.
3. Projecção
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Sob o signo do liberalismo: a heráldica portuguesa oitocentista.
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Vilhena Barbosa e a construção da memória.
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Heráldica autárquica e identidade nacional.
Tendo como ponto de partida o armorial autárquico publicado por Inácio de Vilhena Barbosa em 1860, o presente trabalho incide sobre a relação entre a heráldica municipal e a representação do poder. O principal objectivo consiste em verificar de que modo o conjunto das armas autárquicas foi usado, desde o Antigo Regime até à monarquia constitucional, como parte integrante dos instrumentos de consagração política e de construção da memória. Foca-se em particular o papel que esse armorial desempenhou no processo oitocentista de edificação do Estado liberal, na afirmação da identidade nacional e na atestação abstracta de uma soberania da nação. A edição do armorial autárquico português na segunda metade do século XIX, longe de constituir um caso isolado, encontrou paralelo nos demais países europeus, onde tal género de publicação assumiu características e funções similares. Esta funcionalidade esteve na base da difusão das séries de armas municipais e da sua repetição em lugares associados à simbólica do poder ou à instrução cívica dos cidadãos. (Miguel Beirão de Almeida Metelo de Seixas)
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