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I.
As Nações
Unidas e o sistema
internacional
1. As Nações
Unidas no sistema
internacional
2. Conflitos:
conceitos, tipologia
e aproximação
morfológica
3. As Nações
Unidas e o sistema
de segurança
colectivo
II. Chipre
III. El Salvador
IV. Camboja
V. Angola
VI. Antiga Jugoslávia
VII. Conclusões
finais
A
Organização
das Nações
Unidas é
olhada, num extremo,
como o exercício
do governo mundial
sem governo (idealismo),
e por outro lado,
como uma prática
de futilidade
de cooperação
entre Estados
soberanos (realismo).
Como fazer política
envolve sempre
poder entendido
como sinónimo
de influência;
as Nações
Unidas utilizam
esse poder conferido
pelos Estados
para tentar diminuir
e apaziguar os
conflitos entre
os interesses
nacionais de cada
Estado soberano.
As operações
de paz são
a "ultima
ratio" para
tentar, senão
evitar o inevitável,
a guerra, pelo
menos resolvê-la.
Partindo do pressuposto
de que a guerra
é uma presença
constante no sistema
internacional
e que as Nações
Unidas são
uma organização
de Estados, a
ideia de uma pacificação
do mundo fica
desde logo ameaçada.
Porquê?
Ao contrário
do que a maioria
do cidadão
comum pensa, as
NU, tal como todas
as outras organizações,
são criadas
para servir os
interesses dos
Estados, e não
o inverso. Se
assim fosse, os
Estados não
as criariam. E
mesmo se isso
é possível,
não é
desejável.
Não pretendemos
retirar importância
às Nações
Unidas no seu
contributo inolvidável
na resolução
dos conflitos,
mas também
não podemos
ser reducionistas
ao ponto de olharmos
para o edifício
da ONU, em Nova
Iorque, como sendo
a única
esperança
para o planeta.
Talvez seja esse
o erro que temos
cometido nas últimas
décadas.
Ao contrário,
optamos pelo pragmatismo.
Não estamos
com isto a dizer
que as Nações
Unidas devem tornar-se
pragmáticas.
Elas devem continuar
a ser neutrais,
imparciais e consensuais.
Não se
deve esperar demasiado
das Nações
Unidas pois elas
são formadas
pelos Estados
e, como tal, são
o espelho da realidade
internacional.
A salvação
da humanidade
passa pelas Nações
Unidas, sem dúvida.
Olhemos para trás.
A paz, hoje, não
se confina somente
à solução
das guerras. Passa
também
pelo progresso
e desenvolvimento
sustentado. Passa
igualmente, por
cada indivíduo,
grupo, associação,
organização,
governos e Estados
darem a importância
que cada actor
merece e que pode
dar para se alcançar
a paz no Mundo.
Por último,
são as
Nações
Unidas que dão
a legitimidade
às acções
dos indivíduos.
Por isso é
que os Estados
dão o seu
consentimento
para que a organização
"tome as
rédeas"
da administração
dos seus países,
como se viu em
El Salvador ou
no Camboja. Porquê?
É considerada
a mais capaz para
o fazer. E, por
vezes, quando
os Estados não
conseguem, as
Nações
Unidas são
forçadas
a impôr
essa paz, delegando
ou não
a tarefa num Estado
ou num grupo de
Estados, como
se viu com a NATO
na Bósnia.
As Nações
Unidas são,
assim, um dos
actores necessários,
mas não
os únicos.
Por outro lado,
também
não podemos
ser desconstrutivsitas
e acusar a ONU
de, até
hoje, não
ter conseguido
resolver pelo
menos metade dos
conflitos que
ocorreram desde
1945 a 1997, no
sistema internacional.
As Nações
Unidas não
constituem a única
instituição
que pratica a
diplomacia como
forma de resolução
dos conflitos,
até porque,
geralmente, os
Estados preferem
a diplomacia bilateral,
ao invés
da diplomacia
multilateral.
É a sua
escolha e estão
no seu direito.
(Pedro Raposo
de Medeiros Carvalho) |